II SEMINÁRIO DE FLAUTA DOCE DA UFRJ

18/03/2018 12:34

Temos prazer em anunciar a segunda edição do Seminário de Flauta Doce da UFRJ, que ocorrerá entre os dias 8 e 10 de maio de 2018. Neste ano o evento será dedicado ao flautista Helder Parente, falecido em março de 2017.

Saiba mais:

Não é de hoje que o papel da flauta doce no cenário musical brasileiro vem sendo revisto. Instrumento popularizado pela presença maciça na educação musical infantil, a flauta doce passou a ser reconhecida também por conduzir gerações de instrumentistas à performance da música dos séculos XVI, XVII e XVIII, lançando novos parâmetros de interpretação e abrindo campos de pesquisa a todos que se interessam por este repertório. De outro lado, com a recente ampliação da oferta dos cursos de flauta doce nas universidades, e consequente aumento dos profissionais com sólida formação no instrumento, não têm sido poucas as parcerias entre flautistas e compositores para a criação de novas obras que permitem, aos compositores, explorar com mais liberdade os recursos técnicos e artísticos da flauta doce e, aos intérpretes, ampliar e difundir o repertório brasileiro para o instrumento, em suas mais diversas linguagens.

Helder Parente foi, talvez, o flautista brasileiro que mais atuou em cada um destes campos enquanto esteve profissionalmente ativo. Professor adorado por todos, viajou o Brasil entre as décadas de 1970 e 1990, lecionando flauta doce, danças renascentistas e metodologia Orff, suas especialidades. Em cada cidade por onde passou, deixou marcas profundas e muitas sementes, a ponto de muitos flautistas hoje atribuírem sua escolha profissional ao contato que tiveram com ele. Na área da interpretação da música histórica, seu grupo Quadro Cervantes, no qual ingressou em 1974, foi (e ainda é) uma referência para tantos intérpretes brasileiros. Vê-lo no palco era uma experiência quase hipnótica – afinal, poucos músicos conseguem se desdobrar tão bem em múltiplas funções, e ainda ser dono de um carisma contagiante, de um humor aguçado, e de uma voz tão assertiva e poderosa. Helder foi também um dos intérpretes que mais estreou obras brasileiras para flauta doce. Participou de várias bienais de música brasileira contemporânea, e sempre esteve aberto às novas propostas dos compositores. Orgulhava-se de ter uma sonata dedicada a ele, do compositor e musicólogo norte-americano Colin Sterne.

Foi pensando em tudo o que Helder representou para a flauta doce no Brasil que decidimos homenageá-lo nesta segunda edição do Seminário de Flauta Doce da UFRJ. Inspirados em suas múltiplas atividades, idealizamos uma programação bastante eclética, contemplando diferentes tópicos relativos à pesquisa, ensino e prática da flauta doce.

A mesa que abre as atividades conta com dois grandes músicos, professores e pesquisadores: Ruy Wanderley, flautista doce, companheiro de Helder no Conjunto Música Antiga da Rádio MEC, e Marcelo Fagerlande, cravista, docente da Escola de Música da UFRJ. Ambos falam sobre as primeiras manifestações musicais com flauta doce e cravo no cenário carioca do século XX, baseando-se em suas pesquisas e em suas próprias trajetórias pessoais. As oficinas do Seminário abordam as duas pontas da história da flauta doce: de um lado, Pedro Hasselmann Novaes, um dos raros especialistas em música medieval no Brasil, trata do uso da flauta no repertório daquele período; de outro, David Castelo, docente da Universidade Federal de Goiás, ativo intérprete e pensador da flauta doce, aborda assuntos recentemente discutidos em sua pesquisa de doutorado sobre música contemporânea e técnicas estendidas no instrumento. David divide a oficina com o renomado compositor Liduíno Pitombeira, docente da Escola de Música da UFRJ, que fala sobre sua importante produção para flauta doce.

Duas palestras completam a programação acadêmica: Alfredo Zaine, flautista doce que recentemente concluiu mestrado na Alemanha, aponta novos caminhos de produção e difusão de conteúdo para flauta doce por meio de uma plataforma digital; e o musicólogo francês Benoît Dratwicki, do Centro de Música Barroca de Versalhes, nos brinda com parte de sua imensa pesquisa sobre música francesa do período barroco, abordando o uso dos instrumentos de sopro na Ópera de Paris durante aquele período.

O seminário tem ainda três concertos em sua programação artística. O Conjunto Música Antiga da UFF faz um programa em homenagem a Maximiliano I, um dos primeiros grandes patronos da música, ativo na virada do século XV para o XVI. Pedro Novaes conduz seu conjunto Atempo pelas sonoridades dos instrumentos “baixos”, ou suaves, da Idade Média, em um repertório surpreendentemente alegre e festivo. E o Flustres Ensemble, dirigido por David Castelo e Patricia Michelini, apresenta uma seleção de obras brasileiras para flauta doce, incluindo a estreia de duas peças inéditas.

Com a realização do II Seminário de Flauta Doce, a Escola de Música da UFRJ reafirma seu compromisso com a produção e difusão de conteúdo de alto nível sobre este instrumento, sempre cuidando para tornar as atividades acessíveis não só aos alunos, como para a comunidade de estudantes, profissionais e apreciadores em geral. Ainda que seja desafiante prestar homenagem à altura de um músico tão importante quanto Helder Parente, sem poder contar com a participação de todas as pessoas que lhe eram queridas, esperamos que o espírito agregador e a paixão pela flauta doce que o caracterizavam possam estar aqui presentes, e nos sirvam sempre de exemplo e inspiração.

Patricia Michelini, Coordenadora do II Seminário de Flauta Doce da UFRJ

Confira abaixo a programação do evento:

08/05 - 3a feira

09/05 - 4a feira

10/05 - 5a feira

14h-15h

Abertura e credenciamento dos participantes

Patricia Michelini

14h-15h

Palestra: Produção de conteúdo sobre flauta doce para plataformas digitais

Alfredo Zaine

14h-15h

Palestra: Os instrumentos de sopro na Ópera de Paris durante o século XVIII

Benoît Dratwicki

15h30-17h30

Mesa redonda: Os pioneiros da flauta doce e do cravo no Rio de Janeiro

Homenagem a Helder Parente

Marcelo Fagerlande & Ruy Wanderley

Mediação: Clara Albuquerque

15h30-17h30

Oficina: Música contemporânea para flauta doce

David Castelo & Liduíno Pitombeira

15h-17h

Oficina: A flauta doce na música medieval

Pedro Hasselmann Novaes

19h

Concerto de abertura: Conjunto Música Antiga da UFF

Triunfos de Maximiliano I

19h

Concerto: Conjunto Atempo

Sopros da Baixa Idade Média

Direção: Pedro Hasselmann Novaes

18h

Concerto de Encerramento: Flustres Ensemble

Música contemporânea brasileira para flauta doce

Direção: David Castelo & Patricia Michelini

Coordenação geral: Patricia Michelini Aguilar

Coordenação: Eduardo Antonello

Monitora: Carine Lemos

Este evento faz parte da programação dos 170 anos da Escola de Música da UFRJ


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