Conjunto Atempo, especializado em música medieval, apresenta o programa Sopros da Baixa Idade Média

21/04/2018 10:32

Se os instrumentos musicais de orquestra são hoje classificados por famílias como cordas, madeiras, metais, etc., na Idade Média a lógica era diferente. Apesar da grande variedade da época, os instrumentos eram basicamente agrupados sob a categoria de “altos” e “baixos”. Dentre os “baixos” figuravam alaúdes, harpas, saltérios, flautas transversais, pequenos órgãos, enfim, todos aqueles de intensidade sonora modesta ou moderada e que “funcionavam” melhor entre si e em ambientes fechados, como casas, pequenos salões ou recantos naturais protegidos de barulho. Produziam uma música mais reservada, que hoje chamamos de camerística. Já dentre os instrumentos “altos”, somam-se os de palheta em geral, como as charamelas, as gaitas de foles, os trompetes e também um grande número de percussões para acompanhá-los. Em um mundo sem amplificação artificial do som, esses eram mais requisitados para espaços ao ar livre: nas praças, nas ruas (especialmente em procissões), nos pátios de festas e banquetes, mas também em grandes salões.

Neste programa predominam portanto os instrumentos “baixos”, em sua maioria de sopro, mas não só! "Sopros da Baixa Idade Média" apresenta flautas doces, flauta transversal, uma de três furos conhecida como galubé, uma gaita de foles “suave” (para uma gaita!) e órgãos portativos – um soprano e outro tenor – que, é claro, também são constituídos de flautas, sendo uma para cada nota do instrumento. Complementam a formação do grupo vielas de arco (cordas friccionadas), variadas percussões, sinos e o curioso clavicímbalo, construído de acordo com uma planta do fim da Idade Média. 

CONJUNTO ATEMPO

Pedro Hasselmann Novaes – Direção

Alcimar do Lago - órgão portativo tenor, flautas doce e transversal, galubé e tambor e percussões; Eduardo Antonello - dulcimer, viela de roda e viela de arco; Félix Ferrà - órgão portativo soprano e percussões; Patricia Michelini - flautas doces e dulcimer; Pedro Hasselmann Novaes - vielas de arco, flautas doces, gaita de foles; Rita Cabus - clavicímbalo e sinos 

O conjunto de música medieval Atempo foi formado em 1992 e, desde então, tem tido viva atuação no panorama da música antiga no Brasil. Apresenta-se em concertos, participa de festivais e seminários, e publica artigos em edições universitárias e na internet. A formação musical acadêmica, bem como e a especialização de seus integrantes no Centro de Música Medieval de Paris, deram ao Atempo os fundamentos necessários para interpretar os seus repertórios com base na teoria e no contraponto da Idade Média.

O estudo, a seleção e a adoção de elementos musicais de certas tradições orais têm sido um meio complementar que inspiram os trabalhos do conjunto, já que a monofonia, a oralidade e determinadas formas de improviso são pontos de contato entre tradições orais vivas e práticas musicais manifestadas na Idade Média. Seus integrantes estão constantemente envolvidos em atividades que vão da transcrição, arranjo e interpretação de peças musicais de manuscritos de época, ao estudo iconográfico, construção, adaptação e afinação de instrumentos musicais, com base em modelos e referências medievais. Essa busca vem se refletindo no enriquecimento do repertório e na definição do perfil do Atempo. Em 2001 o conjunto lançou O Trovador da Virgem (Sono-Viso Vozes), dedicado às Cantigas de Santa Maria da corte do Rei Afonso X, o Sábio (1252-1284), obtendo com ele notas e críticas favoráveis. Seu segundo álbum, Estilo novo, nova arte: polifonia de Florença e Verona do século XIV foi lançado em 2011, com o patrocínio da Petrobras.


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